“Não podemos atribuir todos os males à educação”, diz Mujica

Jose Mujica

Fotos: Henry Milléo

Para José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai e atual senador, a educação não pode assumir sozinha as consequências pelos erros na política. Ele defende atenção à primeira infância


Carolina Mainardes

 

Reconhecido mundialmente por seu modo único de governar, José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai e agora senador, afirma que a educação é fundamental, porém, adverte: “não podemos atribuir a ela todos os males”. Para Mujica, quando a esfera política de um país falha, a área educacional não pode solucionar as consequências disso. “A educação não pode assumir sozinha os desatinos da política”, enfatiza. O parlamentar de 81 anos esteve em Curitiba (PR), no dia 27 de julho, para participar do Ciclo de Diálogos “Democracia na América Latina”, promovido pelo Laboratório de Cultura Digital da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em um ginásio de esportes lotado de estudantes, admiradores e participantes do evento, Mujica falou a respeito de luta pela democracia, política, era digital e felicidade. Em seguida, concedeu uma entrevista coletiva e respondeu a perguntas do Radar da Educação.

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Para o senador uruguaio – que teve a presidência marcada pela legalização da maconha e do aborto e pela rejeição aos benefícios do cargo, o que lhe rendeu o apelido de “presidente mais pobre do mundo” – as mães são as primeiras educadoras e têm a função de ensinar a tolerância e o respeito a seus filhos. “Depois, o trabalho do magistério é decisivo”, declarou. Mujica também chamou a atenção para a primeira infância: “A ‘partida’ se ganha ou se perde nos primeiros anos de vida, o que se perdeu ou o que não se pode ganhar nos primeiros anos já não se recupera mais”, lembrando que é nessa fase que se define a futura conduta do ser humano. “Não damos à primeira infância o enorme valor que esse ciclo tem em relação aos posteriores”. Mujica reforçou a importância do ensino e da prática da tolerância, do respeito às diferenças e do aprender a conviver, além de outros fatores que merecem atenção nessa etapa da vida da criança, como a nutrição. Ainda evidenciou que o homem deve rever sua cultura em relação a aspectos como consumismo e capitalismo, o que está diretamente ligado à educação: “[A maneira] como ele educa seu filho – desde os primeiros anos de vida – influirá na civilização do futuro”.

 

Jose Mujica

Mujica: “A educação não pode assumir sozinha os desatinos da política” – fotos: Henry Milléo

Democracia e internet

Para o ex-presidente do Uruguai, o mundo está se organizando em uma gigantesca comunidade: a civilização da internet. “Estudantes podem se comunicar a qualquer tempo. A democracia [a partir de agora] não terá limites porque será digital”, disse. E completou: “A democracia aspira a ser [no futuro] infinitamente muito mais desenvolvida que a débil democracia representativa que temos, ela terá outros códigos, outras linguagens. Somem a tudo isso a luta por uma cultura contestadora, libertadora e diferente, que coloque como centro a vida humana, o direito à felicidade – nenhum valor vale mais que isso”. Mujica encerrou reiterando que todos devem lutar por um mundo melhor e pela democracia.

 

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