“Professor tem que ser como Virgílio, de A divina comédia”

Literculutra

A referência foi feita pelo escritor Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira ao abordar o papel dos docentes em relação à leitura na escola

Carolina Mainardes

 

Para o escritor Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira (foto), o papel da escola e do professor é fundamental em relação ao incentivo à leitura entre crianças e adolescentes. “O professor deve pegar uma obra e trabalhar com ela, ser como Virgílio, de A divina comédia [Dante Alighieri]”, afirmou Antonio Geraldo durante sua participação no Litercultura, em Curitiba (PR), no último fim de semana. No poema épico, Virgílio personifica a razão e é o guia e mentor do autor durante sua jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo. “Ele deve ler com o aluno e puxar os fios – isso é literatura”. E completa: “Enquanto o professor não conseguir desenvolver algo assim, a literatura não terá a força que pode ter”.

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Antonio Geraldo é autor de As visitas que hoje estamos (Ed. Iluminuras) – com a qual ganhou o projeto Rumos e despontou como uma das revelações literárias dos últimos anos –, e do livro infantil O amor pega feito um bocejo (Companhia das Letrinhas). Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), também atua como professor de redação. “Primeiramente, os professores têm que ser leitores, e devem trabalhar com a leitura, no contexto de sua disciplina, em sala de aula”, disse em entrevista ao Radar da Educação. Ler junto com os alunos e mostrar a eles como o texto funciona é a sugestão do escritor: “A literatura é um texto adulto, por isso é importante que o professor seja a pessoa que faça essa ponte para que o aluno tenha entendimento e, consequentemente, interesse pela leitura”. Ao mesmo tempo, Antonio Geraldo adverte que a estrutura atual do ensino atrapalha o professor nessa empreitada. “Veja como os alunos estudam para o vestibular, usando o velho hábito de decorar”. Ele acrescenta que para que a leitura faça parte da vida do estudante, tem que haver fruição – “e não só prazer, mas também dor. Ler é dar espaço às emoções”.

Literculutra

Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira: “Os professores têm que ser leitores” – Fotos: Henry Milléo

Mesa

Durante a participação no Litercultura, o destaque foi para As visitas que hoje estamos, obra de Antonio Geraldo definida como “coro de vozes interioranas”. Ao falar a respeito do seu processo de criação e das etapas que dele fazem parte, o autor afirma que “o livro tem que transpirar vida”. Ele considera que o trabalho do autor é 99% transpiração. “Para isso, o escritor tem que prestar atenção na conversa com o vizinho, observar tudo e buscar fragmentos”.

Litercultura

O Litercultura é um festival de literatura com ênfase na leitura, que promove encontro de autores que falam sobre sua experiência de escrita e discutem temas pertinentes à literatura, à realidade, à cultura e a outras linguagens. É realizado desde 2013, em Curitiba, com programação que varia entre palestras, oficinas e atividades culturais. A mesa com Antonio Geraldo contou com a participação do escritor Luiz Ruffato e mediação de Christian Schwartz. Ruffato também ressaltou a importância da leitura: “O leitor é que dá vida ao livro. Se o livro não é lido, não existe”.

 

 

 

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