Cinema e pluralidade de olhares em sala de aula

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Foto: Henry Milléo

Para Alê Abreu, diretor do longa O menino e o mundo, o professor é a ponte para acesso do aluno à cultura

Carolina Mainardes

 

Não há como ficar indiferente ao assistir O menino e o mundo (2013), longametragem de animação brasileiro dirigido por Alê Abreu (foto). A película traz uma forte crítica e inspira a reflexão a respeito da necessidade de repensar o modo de vida da humanidade. Para o diretor, a história de Cuca – o menino que vive em uma pequena aldeia, e que depois de ver seu pai partir em busca de trabalho o segue e descobre um mundo marcado pela pobreza, exploração de trabalhadores e tantos outros males –, mostrada de maneira lúdica e primorosa, que rendeu a indicação de melhor animação no Oscar de 2016, resgata a importância de sentimentos genuínos. “O filme fala sobretudo da possibilidade da gente manter viva a esperança e a crença de se pensar um mundo diferente. Aquela força da infância por meio da qual a gente é capaz de acreditar que tudo é possível”, afirma.

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O filme, que já venceu 37 prêmios em várias partes do mundo, é tema de projetos escolares que aproximam estudantes do cinema e da produção nacional. Alê Abreu acredita que o professor é a ponte para o acesso do aluno à cultura. “É muito importante esse interesse, esse olhar, essa curadoria dos professores”, avalia. “Isso se deve principalmente ao impulso deles, que primeiro conhecem o trabalho”. O primeiro longa de Abreu – Garoto cósmico (2007) – também despertou interesse de educadores, inclusive com o lançamento de uma cartilha sobre como utilizá-lo em sala de aula. O filme é uma aventura divertida, com pitadas musicais e caráter pedagógico. “É mais fácil nosso trabalho de cinema chegar às salas de aula do que ao mercado”, desabafa o diretor.

Alê Abreu acredita que além do cinema, a literatura e a cultura podem contribuir para melhorar a educação do país, uma vez que trazem para a criança uma pluralidade de olhares, “mostrando que o mundo não pode ser visto de uma só maneira, que não existe só um caminho”. E completa: “A cultura, de maneira geral, abre um universo de fábula que possibilita à criança entrar nesse espaço que não é a realidade, o mundo concreto, ter a percepção de que há portas para esses lugares. A criança vive essa possibilidade”. Para o cineasta, esse espaço imaginário é o lugar em que a criança se desenvolve, pois possibilita muitas vivências.

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O menino e o mundo – Divulgação

Bate-papo

Alê Abreu esteve em Curitiba (PR) para participar de um bate-papo com o público após a exibição do filme O menino e o mundo, no Sesc Paço da Liberdade, no início deste mês. Em entrevista ao Radar da Educação, o diretor e criador do filme falou ainda a respeito de como a animação desperta interesse em todos os públicos. “É muito motivador, pois acaba rompendo com o estigma de que filme de animação é para criança e abre um campo de possibilidades muito rico”.

 

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