Educação é instrumento para afastar jovens da criminalidade

rio-de-janeiro-002

Foto: Henry Milléo

Estudo do Ipea revela que taxa de reprovação é 9,5 vezes maior nos bairros mais violentos do Rio de Janeiro

Radar da Educação com informações do Ipea e da Agência Brasil

 

O estudo Trajetórias individuais, criminalidade e o papel da educação, divulgado na última quinta-feira (8) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que o eixo básico de qualquer política preventiva e efetiva de segurança pública é a educação. “Não se pode pensar em resolver o problema do crime prendendo e botando mais armas na rua quando, na verdade, é preciso investir na criança para que ela não seja o bandido de amanhã”, diz Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea e autor do estudo. Segundo o relatório, a taxa de reprovação é 9,5 vezes maior nos bairros mais violentos do Rio de Janeiro (RJ) (foto). O trabalho aborda a trajetória do indivíduo desde os problemas que podem ocorrer na infância, que podem gerar distúrbios comportamentais mais adiante e levar os jovens à delinquência e ao crime. Cerqueira afirma que há necessidade de uma boa educação desde a infância até o ensino médio: “É algo crucial”.

Curta o Radar da Educação no Facebook

Siga o Radar da Educação no Twitter

O estudo evidencia que, na maior parte dos casos, a provisão de serviços de educação pública segue mais eficiente nas regiões mais ricas das cidades, em detrimento das mais pobres. “Fica claro que o Estado brasileiro não apenas não consegue efetivar políticas públicas bem-sucedidas para mitigar crimes, como ele próprio é um dinamizador da violência, ao investir na perpetuação das cidades partidas”, analisa Cerqueira. O técnico percebeu que, em localidades pobres, com mais homicídios, como nas periferias das cidades, há diferenças substanciais nos indicadores de oferta do serviço escolar, em que a complexidade da gestão média de alunos por turma e o indicador de carga de trabalho por professor estavam entre os piores do país.

Além disso, segundo Cerqueira, “o modelo educacional brasileiro não é moldado para reconhecer diferenças sociais e individuais e se orienta exclusivamente pela oferta mecânica de conhecimentos enciclopédicos”. A publicação trata das trajetórias individuais desde a primeira infância e pontua o papel socializador da educação e seus efeitos de longo prazo. “Buscamos os determinantes dos desajustes comportamentais e socioemocionais que podem contribuir para aumentar a probabilidade da delinquência juvenil”, explica.

Mais reprovações e abandono

Analisando a incidência de homicídios nos bairros e a qualidade das escolas, chegou-se à constatação que o desempenho educacional é muito pior naqueles bairros mais violentos do que nas outras regiões. Nos 30 bairros mais violentos do Rio de Janeiro, por exemplo, em comparação aos 30 menos violentos, a taxa de reprovação é 9,5 vezes maior nos primeiros, o mesmo ocorrendo em relação à taxa de abandono, que é em torno de 4 a 5 vezes maior do que nos bairros menos violentos.

Canais

A publicação trata ainda das políticas de segurança pública preventivas, voltadas para a educação e focadas nas crianças e nos jovens moradores de bairros e comunidades com maiores desvantagens socioeconômicas. A pesquisa encontra seis canais pelos quais a educação formal no ensino básico pode exercer efeito para afastar o jovem da trajetória do crime:

1) reconhecer as diferenças individuais e sociais dos estudantes e aplicar programas psicoterapêuticos e de diálogos, com base em princípios de Justiça restaurativa;

2) a escola deve ser espaço primordial para difusão dos conceitos de cidadania;

3) a escola precisa ter mecanismos para trabalhar melhor o elo com a família;

4) a escola deve explorar os talentos e as escolhas dos jovens e reconhecer que o adolescente é um indivíduo que está em profundas transformações, não só biológicas, e busca sua identidade;

5) A escola deve promover interação social, com projetos de artes ou esportes;

6) A escola deve gerar capital humano, preparando os jovens para ingressar no mercado de trabalho.

 

Veja mais detalhes do estudo: goo.gl/DhgSbh

 

 

 

Obrigado pelo seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s