Brasil segue entre piores em avaliação global de educação

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Arte: Radar da Educação

País aparece estagnado nos dados do Pisa, divulgados hoje. Para a especialista Ilona Becskeházy, é preciso que o Brasil desenhe um currículo nacional que exija dos alunos alcançar níveis mais altos

Carolina Mainardes

O nível de aprendizado dos alunos brasileiros em matemática, leitura e ciências segue estagnado e em níveis baixos, bem abaixo da média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os resultados da edição de 2015 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados hoje, mostram que os estudantes do Brasil ainda têm dificuldades nas três áreas avaliadas. O país obteve 377 pontos em matemática – a média dos países da OCDE, considerados desenvolvidos, foi de 490 pontos. O Brasil também ficou abaixo da média em leitura, com 407 pontos (média de 493 nos países membros da OCDE) e em ciências – disciplina foco dessa edição do programa –, com 401 pontos (média de 493 pontos nos países da OCDE). Cingapura obteve as melhores médias nas três áreas: 556 pontos em ciências, 564 em matemática e 535 em leitura.

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O Pisa avalia, a cada três anos, alunos de 15 e 16 anos, e desta vez englobou 70 países e territórios (35 países membros da OCDE e 35 países parceiros). No Brasil, participaram 23,1 mil estudantes, de 841 escolas. A avaliação é computada em escalas de proficiência, que vão do 1 ao 6, e a OCDE considera o nível 2 como o mínimo para que o estudante possa exercer a cidadania. O relatório revela que mais de 70% dos alunos brasileiros não conseguiram alcançar o nível 2 em matemática, 51% dos estudantes estão abaixo do nível 2 em leitura e pouco mais de 40% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 da escala em ciências. Isso quer dizer que esses alunos não conseguem reconhecer a ideia principal em um texto ou relacioná-lo com conhecimentos próprios, não sabem interpretar dados e identificar a questão abordada em um projeto experimental simples ou interpretar fórmulas matemáticas.

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Ilona Becskeházy: “Vale fazer estudos dirigidos dos relatórios técnicos do Pisa” (Foto: Arquivo pessoal)

Para melhorar os resultados

Para a especialista em Educação Ilona Becskeházy, os resultados da avaliação mostram que, para começar, o Brasil precisa “desenhar um currículo nacional que exija dos alunos alcançar os níveis mais altos do Pisa”. E adverte: “Teremos que mexer no PNE [Plano Nacional de Educação], por exemplo, que estabeleceu como meta alcançar o nível 2 do Pisa em 2024”. Ilona relembra o desempenho preocupante dos estudantes brasileiros já na Prova Brasil, divulgada recentemente. “Se os alunos evoluíram quase nada no 9º ano [do ensino fundamental], significa que o fundamental II está estagnado e isso se reflete no Pisa, que avalia alunos concluintes ou recém-egressos da etapa – com o agravante que a Prova Brasil exige muito menos do aluno”. A especialista considera quevale ler e fazer infinitos estudos dirigidos em cima dos relatórios técnicos do Pisa”. Em primeiro lugar, compreender o que está sendo cobrado dos alunos. “Depois, ver como os alunos respondem e qual a relação do seu escore com algumas características de suas escolas, por exemplo”, recomenda Ilona.

Ciências

O Brasil obteve 401 pontos em ciências. Os melhores desempenhos foram de Cingapura, com 556 pontos; Japão, com 538 pontos; e Estônia, com 534 pontos. O Brasil teve desempenho menor do que outros países latino-americanos como Chile (447 pontos) e México (416).

Leitura

Leitura foi a área em que o Brasil obteve o melhor desempenho em relação aos demais participantes do Pisa em 2015: 407 pontos. Os três primeiros colocados são Cingapura, com 535 pontos; Canadá e Hong Kong (China), ambos com 527. O Brasil ficou atrás do Chile (459) e, do Uruguai (437) e da Colômbia (425).

Matemática

Em matemática, o Brasil obteve 377 pontos. Os países com as três melhores médias são Cingapura (564 pontos), Hong Kong – China (548 pontos) e Macau – China (544 pontos). Nessa área, o Brasil ficou atrás de países como Chile (423), Uruguai (418) e México (408).

Confira mais informações sobre o Pisa 2015: www.oecd.org/pisa/

 

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