A trajetória dos alunos refugiados

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Arte: Radar da Educação

Em Curitiba, os chamados alunos estrangeiros passam pelas etapas de acolhimento, adaptação e avaliação

Carolina Mainardes

A rede municipal de ensino de Curitiba (PR) atende cerca de 220 crianças e adolescentes estrangeiros (que inclui refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes), segundo dados da Coordenação de Línguas Estrangeiras do Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação. Marcos Alede, da equipe dessa Coordenação, explica que o atendimento aos alunos estrangeiros passa por três etapas: acolhimento, adaptação e avaliação. Para esse trabalho, a escola recebe assessoramento que vai da orientação sobre a regularização de documentação escolar e reunião com as famílias até formação continuada para professores e pedagogos. Segundo Alede, essa orientação ajuda as equipes a identificar aspectos importantes da cultura do estudante e que são capazes de influenciar e contribuir no processo de inserção na escola. Esse contato serve também para o desenvolvimento de propostas diferenciadas de ensino, com a criação de currículos adaptados.

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A estratégia para receber esse aluno na escola é definida na Secretaria Municipal de Educação, mas também se aprende com as escolas, por meio da troca de informações e do compartilhamento das práticas que têm funcionado de maneira efetiva.

As três etapas

“A acolhida é muito importante, pois é o momento em que se pretende criar um vínculo desse aluno com a escola e diminuir o choque cultural”, explica Alede. “Muitas vezes, ele foi separado dos amigos, da família, não sabe o idioma e a movimentação da escola é muito diferente do que ele conhece até então”, completa. O educador conta que, de maneira geral, em dois ou três meses esse aluno já está integrado na escola e com os colegas, mesmo sem saber a língua. Durante a etapa seguinte, de adaptação, a recomendação é para que a escola tenha cautela. “Não adianta olhar para esse aluno como um aprendente antes de resolver questões culturais ou socioemocionais”, enfatiza Alede. Depois do aprendizado da língua portuguesa, que geralmente ocorre durante as aulas, se define como será a avaliação: “A prova deve ser igual? É preciso cuidado para não se cometer equívocos. A escola deve perceber se já há condição de avaliar esse aluno e como está o aprendizado da língua”. O ciclo é completo a partir do momento em que esse aluno se adaptou e se definiram todos os procedimentos legais, inclusive a adaptação curricular – com abordagem dos conhecimentos que ele ainda não havia estudado – e a equiparação do histórico escolar. Quando se trata de alfabetização, a criança tem mais facilidade. Já no caso dos alunos maiores, o professor, muitas vezes, precisa fazer um trabalho específico. Alede conta que a escola funciona com regência (um professor específico para cuidar das particularidades da sala). “Esse professor faz um trabalho com o aluno até que ele aprenda a língua portuguesa”. Há, também, o aluno solidário – aquele que é mais ágil para fazer tarefas ajuda o aluno estrangeiro, senta-se perto dele e torna-se o porto seguro desse aluno.

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Para Marcos Alede, da SME de Curitiba, o aluno estrangeiro não deve se tornar um problema (Foto: Divulgação)

 

Em sala de aula

Alede defende que o professor não utilize tradutor: “a comunicação tem que acontecer naturalmente. O professor deve ir para o desafio da convivência, do dia a dia, diagnosticando em que nível de português o aluno está, pronunciando e aprofundando questões da fonética e cognitivas”. O educador sugere que a escola identifique esses aspectos e desenvolva um trabalho específico. “Em termos pedagógicos e de didática, precisamos estar preparados também para a diversidade – que já existe no Brasil, quem dirá com a chegada de alunos de outros países”, observa. Alede ressalta que o aluno estrangeiro não deve se tornar um problema, uma vez que a escola terá uma experiência em lidar com o diferente.

Referência

Em Curitiba, a Escola Municipal Professor Brandão é uma das referências no atendimento de alunos estrangeiros. Ali já foram atendidos estudantes de 15 nacionalidades, vindos de países como Portugal, China, Haiti, Estados Unidos, Japão e Grécia. “A expectativa do trabalho desenvolvido aqui na unidade é incluir de forma eficiente e acolhedora os alunos e também as famílias. Por isso criamos estratégias que vão desde a comunicação por imagens até a utilização de recursos didáticos e tecnológicos para conseguir um bom atendimento”, explica a diretora Alessandra Klettenberg Dalla Benetta.

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