O sonho da universidade, mesmo longe do seu país

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Tyler Jerss: “Meu objetivo é fazer o ensino superior” Foto: Henry Milléo/Agência Plano

Para o haitiano Jerson Compere, conhecido como Tyler Jerss, a conquista de uma vaga no ensino superior pode definir a permanência dele no Brasil

Henry Milléo/Agência Plano – especial para o Radar da Educação

Como quase todo jovem de 20 anos, o sonho de Jerson Compere é entrar na universidade. Haitiano, ele chegou a pouco mais de um ano no Brasil, com visto humanitário. De Delmas, distrito de Porto Príncipe que fica no país considerado como um dos mais pobres do mundo, Compere ou Tyler Jerss – apelido que usa por aqui – ficou um pouco desmotivado por não ser aprovado no vestibular para Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mas, ainda tem esperança de conseguir fazer algum curso, por meio do Prouni (ele obteve a pontuação média no Enem exigida pelo programa), em uma faculdade de Curitiba (PR), cidade em que está vivendo desde que saiu do Haiti. “Meu objetivo é fazer o ensino superior”, afirma Jerss. “Mas, entrar na universidade é muito difícil por causa da concorrência. Estudei muito, e não passei nem na primeira fase do vestibular”, lamenta.

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O jovem foi incentivado por sua mãe a vir para o Brasil e buscar uma vaga no ensino superior: “Ela foi a primeira a chegar aqui e achava que havia uma possibilidade de eu entrar na universidade”. A mãe de Jerss ficou em Curitiba por cinco anos, mas já deixou o país. Atualmente, ele mora com um irmão mais velho, que está aqui há três anos. O único familiar que ficou no Haiti foi o pai dele. “Se eu conseguir entrar na universidade, vou ficar aqui. Quero ficar, mas não sei se será possível”.

Além de estudar para o vestibular, Jerss é aluno do projeto Português Brasileiro para Migração Humanitária (PBMIH), organizado pelo curso de Letras e pelo Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) da UFPR. Ele também trabalha em um restaurante como auxiliar de serviços gerais. “A maior dificuldade quando se chega aqui [no Brasil] é a língua. A minha sorte é que um amigo de minha mãe me falou sobre o curso [de língua portuguesa], pois há muitos haitianos que têm que aprender a falar o português já no mercado de trabalho”, considera. No restaurante, Jerss aproveita para treinar a língua e acredita que no fim deste semestre, quando concluir o curso, poderá trabalhar como garçom. Apesar de considerar o português uma língua difícil de aprender, ele elogia o formato do curso da UFPR: “As aulas são muito legais, a gente aprende conversando e brincando”. Outra dificuldade para ele é o fato de, em Curitiba, haver um maior número de haitianos mais velhos. Jerss sente falta do contato com o pessoal de sua idade, com quem tem mais afinidades. “Eu sou jovem e meu sonho, quando vim para cá, não era bem isso”.

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Tyler Jerss: “A maior dificuldade quando se chega aqui é a língua [portuguesa]” (Foto: Henry Milléo/Agência Plano)

Das impressões daqui, ele destaca o fato de haver muita desigualdade e, em relação aos haitianos, preconceito. “Sofri muito, mas passou. Aqui tem muita diversidade. No Haiti, 90% [da população] são negros”. Ele explica ainda que, lá fora, a ideia que se passa é que o Brasil é um país democrático onde as pessoas vivem bem – “mas é muito diferente quando você chega”. Apesar disso, Jerss afirma que gosta do Brasil.

Educação no Haiti

“O sonho de um jovem haitiano é estudar nos Estados Unidos”, ressalta. Ele lembra que, no Haiti, o francês é a língua oficial, mas a população adota o creole para se comunicar. Também se aprende o inglês e o espanhol, mas é a cultura americana que predomina. Jerss comenta que o ensino de lá é rígido – “você tem que estudar todo dia”. Em relação ao Enem e ao vestibular, fala que não teve problemas. O conteúdo de literatura brasileira foi o único que achou difícil. Apesar de todo o empenho para ficar e, claro, conquistar o sonho da universidade, Jerss diz que pretende voltar ao Haiti, um dia. “Sou haitiano e não posso negar minha nacionalidade”.

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