Para não esquecer a Síria

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Riad Al-tinawi: “Tenho a impressão que as escolas públicas no Brasil são bem fracas” (Foto: Rosana Pinheiro da Silva/agência Plano)

Manter as tradições como a culinária, a língua árabe, a religião e a história do país faz parte da rotina da família do estudante Riad

Rosana Pinheiro da Silva/Agência Plano – especial para o Radar da Educação

“A vida aqui no Brasil é muito difícil – mas com vocês está mais fácil”. O sírio Talal Al-tinawi, 44 anos, agradece, em português, pelos diversos votos de feliz aniversário que recebeu pelo Facebook, no início de 2017. Em São Paulo há três anos, o engenheiro mecânico ficou famoso depois de conseguir abrir um restaurante de comidas típicas sírias com a ajuda de uma campanha de crowdfunding. O empreendimento mantém a família Al-tinawi na capital, ao mesmo tempo em que os aproxima de Damasco, cidade que foram obrigados a abandonar em 2013.

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E não é só na culinária que família Al-tinawi mantém as raízes vivas. Em casa, reforçam as tradições sírias, a língua árabe, a religião e a história do país para os filhos mais velhos Riad, de 15 anos, Yara, de 13, e a bebê de 2 anos, que nasceu em São Paulo. “Não é que eles ensinam, eles, tipo, relembram. É pra gente não esquecer da Síria. Em casa a gente só fala árabe”, explica Riad, já adepto de uma das gírias mais populares entre os adolescentes paulistanos: “tipo”. “Tenho a impressão que as escolas públicas no Brasil são bem fracas”, diz Riad que, assim como a irmã, conseguiu bolsa de estudos integral em um colégio particular da zona sul de São Paulo. Quando chegaram na capital paulista, Riad estudou em uma escola pública por alguns meses e Yara, em uma escola islâmica. Os pais avaliaram que, apesar de ajudar a manter as tradições, na escola islâmica, Yara não estava aprendendo português. Ao mesmo tempo, Riad considerava a escola pública “fraca” para seu desenvolvimento. “Fomos muito bem recebidos na escola particular, não tinha estrangeiro, então as pessoas fizeram muitas perguntas, ficaram curiosas, e a gente foi contando a nossa história”. Riad sente-se muito bem na escola, especialmente com o acolhimento dos professores. Ele acaba de ingressar no 9º ano do ensino fundamental e afirma que a ajuda dos professores foi essencial em sua adaptação, já que o conteúdo da escola é difícil para ele: “dá pra perceber que os professores gostam de ensinar os alunos”.

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A família de Tala Al-tinawi, já adaptada em São Paulo (foto: Rosana Pinheiro da silva/Agência Plano)

Língua portuguesa

Uma dificuldade foi a língua portuguesa. Ele e a irmã passaram por um processo de adaptação de alguns meses até conseguirem se comunicar e escrever em português de maneira mais clara. “Achei bem rápido, em seis meses eu já conseguia falar e me comunicar com todo mundo”. Hoje, Riad dá até entrevista, além de ajudar o pai no restaurante. A família não tem planos de voltar para a Síria e já está adaptada à capital paulista.

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